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A gente vive aprendendo

A ser bonzinho, legal,
A dizer que sim pra tudo,
A ser sempre cordial...

 

A concordar, a ceder,
A não causar confusão,
A ser vaca-de-presépio
Que não sabe dizer não!

Acontece todo dia,
Pois eu mesma não escapo.
De tanto ser boazinha,
Tô sempre engolindo sapo...

 

Como coisas que não gosto,
Faço coisas que não quero...
Deste jeito, minha gente,
Qualquer dia eu desespero... [...]

 

(Quem tem medo de dizer Não? Ruth Rocha)

 

 

 

Com forte carga negativa, o “não” é muitas vezes interpretado como negação, rispidez e insensibilidade.
Esse modo de ver o “não” está presente no filme “Sim Senhor!” , cujo personagem principal diz ‘não’ a tudo, geralmente inventando desculpas, o que o afasta das outras pessoas. Após uma reflexão sobre esse seu comportamento, o personagem inicia um programa de autoajuda com base em um simples princípio: dizer “sim” a tudo. No início, o poder do “sim” transforma sua vida, mas logo ele descobre que aceitar tudo que lhe é proposto pode gerar situações inconvenientes. Essa obra, portanto, ilustra os dilemas de muitas pessoas: dizer “não” excessivamente (primeira fase do personagem) e não saber dizer “não”, mesmo estando em uma situação desconfortável, constrangedora ou ameaçadora (segundo fase do personagem).


Observe alguns exemplos do cotidiano, em que podemos ter dificuldade de dizer “não” e nos paralisam:
• Um colega de trabalho costuma fazer brincadeiras de mau gosto diante de outras pessoas e isso nos incomoda;
• Um amigo tem o péssimo hábito de não cumprir horários e isso nos chateia;
• O chefe está sempre nos sobrecarregando com trabalhos que são responsabilidade de outras pessoas e isso nos perturba;


Esses exemplos representam o que muitas pessoas passam no dia a dia, seja no ambiente de trabalho ou na vida privada. Grande parte das pessoas se mantém passivas diante dessas situações, o que pode ser desastroso. Além do desconforto, há o risco de a pessoa se sentir tão pressionada que, às vezes, não consegue medir suas reações, podendo se tornar agressivas após tanto “engolir sapos”.
Apesar de sua direta negatividade, o ‘não’, se bem empregado, pode ser favorável e gerar bons resultados profissionais e pessoais. Esse é o chamado “não positivo”.
Essa denominação decorre do fato de que uma das principais fontes dos conflitos humanos destrutivos é a incapacidade de dizer ‘não’. Esse hábito é muito comum, mas as pessoas costumam se queixar de não conseguir dizer “não” quando desejam e sabem ser necessário. O ato de dizer “não”, portanto, deve ser aprendido e colocado em prática.
Além disso, quem normalmente fala “sim” para tudo e para todos costuma ter grande dificuldade de colocar limites. Muitas vezes, essa pessoa é motivada pelo desejo de querer agradar ao outro, de ser valorizada. E o prejuízo emocional é o estresse que isso acarreta.


Quem diz SIM para tudo:
• tem dificuldades de colocar limites;
• quer agradar a todos;
• quer ser valorizado;
• pode estar com baixa autoestima.


Dizer SIM para tudo promove:
• estresse.
• mágoa.
• angústia.
• baixa autoestima.


Em contrapartida, quem está acostumado a dizer “não” para tudo acaba sendo tachado como egoísta, intransigente, teimoso. Provavelmente, essa pessoa pode acabar perdendo oportunidades na vida.
 

Quem diz NÃO para tudo:
• pode ser chamado de egoísta;
• fica de mau humor com freqüência;
• isola-se das pessoas;
• perde oportunidades na vida.


É necessária, então, uma mudança de comportamento e de atitude para aprender a ser mais assertivo. Isso não significa confrontar as pessoas, nem dizer “não” o tempo todo, mas sim, dizer o que se pensa sobre determinado assunto, na hora certa e com o tom e as palavras certas. A comunicação assertiva tem por objetivo esclarecer situações incômodas que, por não serem discutidas corretamente ou conhecidas por ambas as partes, podem gerar desconfortos e mal-entendidos.
A primeira premissa para ser assertivo é não ser agressivo. A relação com as pessoas deve ser clara, direta, objetiva, mas deve levar em conta os sentimentos do outro e o contexto comunicativo. Dessa forma, as pessoas podem conseguir construir relacionamentos sólidos, projetar uma personalidade mais consistente e obter atenção e admiração de outros.
 

Para melhorar a assertividade, seguem dez dicas de como dizer “não” adequadamente:

1. Primeiramente, reflita se o “não” é realmente necessário naquele momento específico;
2. Não confunda ser assertivo com ser agressivo: Não repreenda as pessoas apenas porque elas não agem de acordo com sua vontade. Essa atitude é pouco assertiva;
3. Não utilize o tom de crítica ao falar: apenas expresse como o comportamento de determinada pessoa o deixou desconfortável e sugira uma maneira alternativa de se comportar;
4. Explique e fundamente o seu “não”, para levar o outro a entender seus motivos;
5. Fale de maneira firme (mas não brava), sem hesitações, para deixar claro que o assunto é importante, evitando assim risadas ou comentários que possam minimizar a importância do fato;
6. Não demonstre sinais de nervosismo (esfregar nervosamente as mãos, desviar os olhos do interlocutor, cruzar e descruzar as pernas) ou descontrole emocional (gritar ou falar com a voz embargada);
7. Não se porte como vítima e nem utilize artifícios emocionais, como choro: Se quiser ser respeitado e ouvido, seja firme e mostre que o seu “não” tem um motivo;
8. Planeje a forma de dizer “não”: procure escolher palavras que levem em conta os sentimentos do outro e não apenas os seus;
9. Escolha o lugar certo: Quanto mais reservado for o lugar da conversa, maiores serão as chances de sucesso;
10. Exercite o “não” assertivo inicialmente em situações mais simples, com pessoas mais próximas, pois as consequências podem ser menos graves do que com pessoas desconhecidas ou do ambiente de trabalho.

 

Simplesmente fugir do “não”, acomodar-se em conversas superficiais, evitando esclarecer situações que o incomodam, é só uma forma de adiar o confronto que poderá ocorrer no futuro.
Embora “dizer não” possa causar um desconforto momentâneo, os resultados da comunicação assertiva projetarão sua imagem e sua personalidade de maneira muito mais positiva. Lembre-se de que o “não” positivo de hoje pode trazer inúmeros benefícios e muitos “sim” no futuro.

 

 

Lucymara Alves de Andrade, Rosângela Curvo Leite e Vivian Cristina Rio

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