As modalidades oral e escrita constituem universos específicos de linguagem e como tal, possuem características próprias. A modalidade escrita parece caminhar para o espaço da totalidade, do distanciamento máximo entre produtor e interlocutor, enquanto a oralidade pressupõe um envolvimento maior entre os falantes. Entretanto, sabe-se que essa configuração nem sempre se realiza.
Quando escrevemos, podemos impedir que nosso leitor interfira diretamente em nosso texto. Indiretamente, porém essa intervenção acaba por acontecer, visto que, continuamente, ajustamos a escrita à imagem que fazemos dele, prevendo possíveis perguntas que ele nos faria, e tentando responder a elas. Desse modo, a presença desse leitor virtual exige de nós um esforço de elaboração e precisão, levando o texto escrito para um certo grau de completude e preenchimento, refletidos no vocabulário apurado, no rigor gramatical, na obediência à norma culta, na objetividade e clareza de idéias, na eliminação de ambigüidades.
Por outro lado, na oralidade, a relação que estabelecemos com quem falamos é direta, traduzida em um processo de dialogação, que pode ainda contar com uma série de recursos extralingüísticos, como gestos, expressões faciais, entonação, postura, que facilitarão a transmissão de idéias, emoções e possibilitarão o refazimento da mensagem, caso esta não seja assimilada ou bem interpretada.
Em ambas as modalidades (oral e escrita) , o que se espera é que a comunicação seja efetiva e possa, de fato, se concretizar pelo contínuo ajustamento de linguagem que o emissor da mensagem faça com relação ao seu destinatário. Sendo a língua rica e múltipla de possibilidades, atualizá-la, em função das exigências do momento da comunicação, é nossa tarefa e nosso desafio.
Rosângela Curvo Leite