Você já participou de uma palestra em que o apresentador falava tanto “ãh...” ou “éh...” que não era possível sequer se lembrar da mensagem dita? Ou então já teve um professor em cuja aula você ficava anotando quantas vezes ele repetia “né”, “tá” ou “entendeu?” em vez de anotar a matéria?
Consideradas muletas linguísticas, prolongamentos e estereótipos de apoio podem transmitir uma má impressão do locutor. Enquanto preencher espaços vazios do discurso com “ãããh...” “ hum...” podem demonstrar insegurança e despreparo, repetir incessantemente uma expressão no início, meio ou no fim da frase pode acarretar em uma depreensão do conteúdo perto de 0% por parte do receptor, pois ele, provavelmente, contará quantas vezes a palavra foi repetida, em vez de se concentrar no conteúdo da mensagem. Além disso, essas muletas da comunicação podem demonstrar escassez de vocabulário e falta de prática no manuseio da língua.
É o que acontece, por exemplo, com crianças pequenas ao contar uma história – a partir da segunda frase, todas as outras tendem a começar com “aí” ou “daí”. Já um profissional, ao defender seus argumentos ou apresentar um projeto, precisa deter repertório amplo o bastante para variar o uso das palavras.
Mas como evitar o uso dessas muletas? Primeiramente, verifique se você recorre a elas com muita frequência, no dia a dia. Pergunte a seus amigos ou grave uma conversa ou uma apresentação sua, para que passar a ter consciência de como você se expressa.
No caso de prolongamentos, procure suprimi-los, ficando em silêncio toda vez que notar que vai alongar uma vogal; desacelere um pouco a velocidade de sua fala, para que não seja necessário parar para pensar no que vai dizer em seguida; prepare-se o suficiente para que o conteúdo da mensagem flua normalmente.
Já no caso de estereótipos de apoio, simplesmente não os profira desnecessariamente (como os “nés” e “tás”) e alterne-os com expressões equivalentes quando precisar da ideia que transmitem (em vez de “aí” e “daí”, pode-se dizer “então”, “depois”, “em seguida” etc.). Se você variar as palavras, elas não serão configuradas como estereótipos.
Uma última consideração: é importante ressaltar que tanto os prolongamentos quanto os estereótipos de apoio fazem parte da comunicação oral, distinguindo-a inclusive, da comunicação escrita. Segundo pesquisas, no discurso de falantes fluentes, as hesitações chegam a 10% do texto falado. O que sugerimos neste texto, portanto, é que o emissor tenha o domínio de sua expressão verbal, para que use a linguagem de forma estratégia, sempre buscando o melhor resultado e evitando os excessos de muletas da comunicação.
Aprimore esse aspecto de sua comunicação no dia a dia e sua imagem como emissor será cada vez mais positiva.
Rosângela Curvo Leite
Vívian Cristina Rio
Carolina Takara